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23/02/2011
Vida 2.0. Tudo grátis, mas nem tanto
Por Mauricio Bonas *

Depende da sua idade. Você pode lembrar ou apenas ter lido em algum lugar: música se ouvia em LP e filme se via em cinema. Veio o CD e anunciaram a morte do LP. Chegou o videocassete e o cinema já era. Quem viveu os anos 90 em algum momento acreditou que isso era verdade. Cinemas faliram às pencas e LPs sumiram. Claro que ambos estão aí, hoje, e muito bem: cinema sempre lotado, LP como luxo que seduz tanto saudosistas quanto gente jovem que quer exclusividade. Mas ocorreram rupturas radicais nos dois mercados.

Agora se anuncia outra morte, bem mais dramática que a do vinil: a dos preços. A revolução 2.0 promete que produto bom é produto grátis. Há falhas na ideia, e de fato você não vai comprar um carro e desembolsar zero reais nem hoje nem daqui a 20 anos. Para ser melhor compreendido, o conceito preço 2.0 deve ser acompanhado via internet, o berço esplêndido onde é cultivado.

Fora da web, uma de suas bíblias é o livro Free - O Futuro dos Preços, de Chris Anderson, editor da revista norte-americana Wired. Basicamente ele diz que os preços tendem a zero. Usa como exemplo o custo de transistores, inventados há 60 anos e então dispendiosos. Quando criados os circuitos integrados, contendo dezenas de transistores, o preço unitário caiu a centavos, e quando surgiram os chips, com milhares de transistores, seu valor ficou tão pequeno que impossível ou desinteressante ser cobrado.

A tese é que isso ocorre com outras coisas, de formas diversas, e de fato ocorre. Vale até para serviços. Uma banda de rock pode dar de graça seu novo álbum via internet. Nem pense que nada custou. Eles gastaram tempo, dinheiro no estúdio, na compra de instrumentos e assim por diante. Por que dão grátis? Pela lógica 2.0, porque ganham de forma perpendicular: ao distribuir o álbum, ganham uma legião de fãs e, com eles, chegam os shows. O dinheiro vem daí. Um escritor? Ganharia em palestras.

Você não é artista, certo? Então pense em um mecânico grátis. Já tem. Quando sua seguradora manda o socorro, é isso. É, você pagou como parte da mensalidade do seguro, mas foi menos que gastaria se ligasse a ele e pedisse para buscar seu carro em Pindamonhangaba. Muitíssimo menos.

Essa é, grosseiramente, a lógica 2.0 se imiscuindo na sua vida, no seu negócio, na forma como você encara inclusive preços de seja lá o que for. Por certo há limites, e alguns bem rasos. Mas mexe com a forma de fazer negócios. É bom pensar nisso, ficar atento a como essa ideia talvez esquisita afeta ou afetará seu trabalho. Caso contrário, pode acontecer o mesmo que às fábricas de LP dos anos 80. É, as de hoje não são as mesmas.

E, se ainda assim o conceito do grátis soa absurdo, pense nesse texto que você lê. Quanto pagou mesmo?

Pois é, porém vale também levar em conta que o livro Free, do Anderson, não é distribuído de graça.

* Mauricio Bonas é jornalista e diretor da agência de comunicação Allameda.com (www.allameda.com). Fale com ele pelo email atd@allameda.com.

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