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05/08/2009
Os primórdios da Imprensa
Embora os mais românticos possam argumentar que a história da imprensa começa com a troca de gritos entre os primeiros hominídeos, o pontapé inicial naquilo que o atual senso comum chama de imprensa vem de muito depois. O ano mais provável do início de tudo é 1397. Sem que soubessem, os habitantes da região hoje conhecida como Alemanha viviam uma data histórica --do nascimento de Johannes Genfleisch Gutenberg. Embora a prensa já fosse usada na época de Gutenberg --para tingir tecidos, esmagar frutos ou produzir moedas--, é a ele que se atribui a idéia de utilizá-la para imprimir informação em papel e, principalmente, a invenção dos tipos móveis (ou tipografia). Sem isso, seguramente a imprensa como hoje conhecida não existiria.

Os aperfeiçoamentos e invenções de Gutenberg não foram fortuitos. Ao contrário, Gutenberg teve toda sua infância e adolescência para fermentar as idéias que deram a ele seu lugar na história: seu pai trabalhava na Casa da Moeda e, como tal, usava prensas para os relevos em metal. Aos 45 anos, em 1442, Gutenberg faz seus primeiros experimentos práticos de impressão em papel a partir de uma engenhoca dotada de tipos móveis. Ele morava então em Estrasburgo, para onde mudou provavelmente aos 30 ou 31 anos.

Mas muita água teve de rolar sob a ponte antes que Gutenberg conseguisse desenvolver de fato sua invenção. Em 1450, aos 53 anos e de volta à cidade natal de Moguncia, ele conhece Johann Fust. Homem de posses e interessado em investimentos lucrativos, Fust se associa a Gutenberg e investe 800 ducados na empresa que formaram, a Fábrica de Livros (ou, Das Werk der Buchei). A eles se associou ainda Pedro Schoffer, outro criativo, à qual a história atribui tanto o desenvolvimento do processo de fundir chumbo para a criação dos tipos como da tinta usada para registro em papel.

Bulas de indulgência, o princípio

A Fábrica de Livros começou devagar, imprimindo bulas de indulgência do papa Nicolau V, entre outras poucas obras. Ainda não se usava, para tanto, a tipografia. A primeira obra tipográfica de fato teria sido a Bíblia de 42 linhas, terminada em novembro de 1455. Gutenberg tinha então 58 anos. Impresso em duas colunas, frente e verso do papel, este pai de todos os livros tinha 641 páginas e tiragem estimada em 300 exemplares --um verdadeiro tributo à paciência e empenho de Gutenberg e parceiros. Cada face de cada página tinha de ser impressa individualmente, posta a secar e novamente colocada na prensa para registro da outra face.

Neste mesmo ano, apesar do sucesso da empreitada, e talvez em virtude dele, Gutenberg, Fust e Schoffer brigam. O resultado é catastrófico para Gutenberg, que perde os direitos aos equipamentos e impressos. A decisão foi tomada na Justiça. Fust e Gutenberg, na época, mal podiam se ver.

Apesar do clima pesado, Fust e Schoffer continuam trabalhando no desenvolvimento da nova tecnologia. Dois anos mais tarde, em agosto de 1457, lançam o Psautier de Mainz. A obra é considerada a primeira impressão tipográfica a registrar não apenas os nomes de seus impressores como também local e data da produção. Mas, em paralelo, Gutenberg continua sua carreira de editor. Entre 1457 e 1460, ele teria impresso sua Bíblia de 36 linhas, o Missal de Constance e o best-seller Catholicam de Balbi, espécie de enciclopédia medieval.

Daí em diante, com a disseminação da tecnologia de impressão, as inovações não páram de surgir. Em 1461, é impresso pelas mãos de Edelstein de Ulrich Boner e Albert Pfister um livro com ilustrações. Ainda estamos na Alemanha, mas já em 1464 a nova tecnologia ganha ares internacionais, com a implantação de um centro tipográfico em Roma e, em 1467, de um similar em Oxford, Inglaterra.

A invenção da censura

Quando Gutenberg morreu, em 1468, sua invenção já mostrava que se espalharia rapidamente pela Europa. Neste ano, Veneza ganha sua própria editora, de onde saem os exemplares de Sonetos de Petrarca. França, Hungria, Polônia e outras regiões européias vão sendo varridas pela novidade durante toda a década de 1470.

A efervescência culmina com a invenção da censura à imprensa, em 1479. O patrono do obscurantismo é o papa Sixte IV. Em uma atitude tantas vezes depois repetida, o papa ordena à Universidade de Colônia, na Alemanha, que passe a praticar censura prévia a livros heréticos.

Para quem fala o português, a data a ser comemorada é 4 de janeiro de 1497. Na cidade do Porto, o editor Rodrigo Álvares faz imprimir Constituições que fez o Senhor Dom Diogo de Sousa, Bispo do Porto, primeiro livro totalmente composto no idioma.

À América, a imprensa chega em 1539. A primeira tipografia do continente é inaugurada no México.

Imprensa com cara de imprensa

Os primeiros impressos com cara de revista surgem em 1486. São os almanaques, criados na França. Também aos franceses deve ser creditada a criação do jornal. Em 1529 são lançados os primeiros jornais. Trata-se na verdade de uma singela folhinha de papel onde se relatam fatos insólitos. Ou seja, o jornal já nasce sob a égide da imprensa marrom.

Na Suiça, em 1597, é introduzida outra característica da imprensa moderna: a periodicidade. A novidade se dá pelo lançamento de um impresso que, por definição, se repetirá em sucessivas edições mensais.

Mas um jornal que um cidadão do século 21 reconheceria como tal só surgiria em 1605. Notícas em folhas avulsas e com periodicidade, esse era o ponto focal de Abraham Veihoeven ao lançar seu Nieuwe Tijdinge, em Anvers.

Na América, o primeiro jornal com cara de jornal foi The Public Ocorrences, publicado em Boston, nos EUA, em 1690. Na verdade, o jornal teve triste fim: não chegou a rodar uma segunda edição. Foi proibido pelo governo. Por isso, os anais da imprensa nos Estados Unidos normalmente indicam 1704 como ano do lançamento de seu primeiro jornal, o Boston News-Letter, editado por Jonh Campbell.

Em 1746, um cidadão do Rio de Janeiro lança a primeira tipografia brasileira --fechada pelo governo um ano mais tarde.

Mais inovações

O século 18 foi pródigo em inovações que, de alguma forma, se perpetuam até agora na imprensa. Na Inglaterra foi por exemplo criado o conceito de direitos autorais, ou copyright, em 1710. Pouco mais de dez anos depois, surge a quadricromia, processo pelo qual são mixados quatro matizes básicos para formação de quaisquer outras cores impressas. O primeiro livro em quadricromia sai das prensas em 1723 sob supervisão de Jacques Christophe Le Blom. A obra é Il coloritto or the Harmony of Colouring. Ainda na primeira metade do século, em 34, uma briga judicial nos Estados Unidos acaba redundando no estabelecimento do conceito legal de liberdade de imprensa. Já na última década, vem da Alemanha outra contribuição: a invenção da litografia, em Munique.

Incansáveis, os alemães também foram responsáveis pela criação das máquinas rotativas, que deram aos editores capacidade de produzir as imensas tiragens que as cada vez maiores levas de alfabetizados exigiam. A impressora, com cilindro e forma plana, é fruto do trabalho de Friedrich Koenig. Seu primeiro protótipo foi conhecido pouco antes de 1810 e, já em 1814, Koening e seu sócio Andreas Bauer instalam em Londres, no jornal The Times, a primeira rotativa a vapor. O equipamento é um espanto: com ele em funcionamento, o então já veterano diário inglês, fundado em janeiro de 1785, passa a rodar 1,1 mil exemplares por hora.

No Brasil

Como já se viu, pressões públicas, interdições e censura à imprensa não são nem de longe invenção brasileira. Mas é preciso anotar que, no Brasil, tais inventos encontraram terra fértil para se desenvolver --e não se fizeram de rogados. A história da imprensa no País já nasceu com o pé esquerdo. Em 1747, através de uma carta régia, a corte portuguesa proibiu impressão de livros e avulsos no Brasil.

Com a medida, foi destroçado o primeiro e único empreendimento gráfico local, uma tipografia aberta um ano antes no Rio de Janeiro por Antônio Isidoro da Fonseca. A medida não apenas levou o pioneiro impressor à bancarrota como ainda atrasou, em quase cem anos, a implantação da imprensa no Brasil. Ela ressurgiu antes que um século se escoasse, mas pelas mãos do governo. Foi em 1808, quando a corte portuguesa muda-se temporariamente para o Rio. Com ela, vem a Imprensa Régia, casa editorial estatal que mais tarde seria transformada na Imprensa Nacional --a mesma que continua publicando o Diário Oficial da União, lançado em 1862.

Em 1808, nasce o Correio Braziliense, que os livros de história gostam de classificar como primeiro jornal em português a circular no Brasil --apesar de editado e impresso em Londres. Com periodicidade incerta e todo o tipo de percalço, o jornal foi publicado nesta sua primeira fase até 1822. Ao longo destes 14 anos, porém, não chegou a completar 200 edições. Também em 1808 estréia a Gazeta do Rio de Janeiro. Outra vez, trata-se de um veículo publicado pelo governo, sob censura prévia, e oficial até a medula. Manteve os cariocas da corte (mal) informados até dezembro de 1821.

Neste meio tempo, em Salvador, passa a ser publicado A Idade d’Ouro. O jornal baiano, igualmente sob censura, surgiu em 1811. Um ano mais tarde vem a público a primeira revista brasileira: As Variedades. Era publicada pela maçonaria e cobria basicamente o cenário literário.

As coisas só começam a melhorar em 1821, quando o príncipe regente Dom Pedro abole a censura prévia à imprensa em uma jogada política que antecedia seus planos de decretar a independência do País. A resposta aos novos ares liberais surgiu na forma do lançamento, no mesmo ano, dos jornais Reverbero Constitucional Fluminense e Diário do Rio de Janeiro. Tendendo ao sensacionalismo, o Diário cobria economia e geral, mas o forte das manchetes estava no submundo: crimes, fugas espetaculares de escravos e temas afins. O Diário inovou ao aceitar publicidade paga, enquanto o Reverbero ganhou seu lugar na história como primeiro diário político local.

Não foram necessários mais que dois anos para que o liberalismo governamental fosse desnudado. Em 1823, nasce a primeira das muitas leis de Imprensa. Publicada por decreto do então já imperador Dom Pedro, ela jogava pesado contra a publicação de matérias a respeito da igreja católica.

Dos jornais do início do século 19, o único a resistir até hoje é o Diário de Pernambuco. Lançado em 1825, chegou em boa forma à era da internet --e, até prova em contrário, é o mais antigo diário em circulação ininterrupta na América Latina.

Sobre o Autor: Mauricio Bonas, jornalista com mais de 15 anos de experiência profissional, trabalhou para veículos como Folha de S Paulo, Som3 e Jornal do Brasil, tendo sido responsável pela assessoria de comunicação de companhias como Acer, Microsoft, Oracle e LG Electronics. Online desde o final dos anos 80, no início dos BBS’s, foi um dos primeiros jornalistas brasileiros a mergulhar na imprensa via internet, em 1996. Atualmente faz parte da equipe de Allameda.com.
      
(publicado em Allameda a 05/08/2009)

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