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31/08/2016
Sobre Zumbis e Deboístas
Por Eduardo Vento*

Os brasileiros têm um senso de humor peculiar e, muitas vezes, cáustico. A Nero, onde trabalho há anos, já foi vítima dessa particularidade dos brasileiros de fazer piada com tudo: uma revista brasileira listou nossos produtos, coisa de quatro anos atrás, em uma matéria que nos comparava a zumbis tecnológicos. O artigo era jocoso, mas sério. 

Por que a tal publicação se pegou justo nesse ponto? Bem, imagino que por dois principais motivos. O primeiro, mais flagrante, decorre de a Nero ter nascido de um software para gravação de CDs, o hoje legendário Nero Burning ROM, que nos levou a ser a maior companhia do mundo, em vendas e em tecnologia, nesse mercado. A relação seria com uma empresa vinculada a uma tecnologia supostamente morta-viva. O segundo motivo, creio, tem a ver com os aspectos novidadeiros do mercado. Algo assim: uma start-up é charmosa, mas uma companhia com 20 anos e fora do radar hipster é antiga

São estereótipos, e é nisso que reside a graça. Mas, no outro extremo do campo da ironia, essa história tem ensinamentos caros ao mundo dos negócios. Por que sou eu quem está escrevendo esse artigo – e não, por exemplo, o redator que me definiu como zumbi? Por um motivo simples: a revista em que ele perpetrou a graça fechou as portas por não ter sido capaz de se adaptar aos novos ventos do mercado, enquanto a Nero soube recriar suas velas e continuar navegando. 

Mas a matéria que brincou com a gente tinha um fundo de realidade. O mercado em que nós historicamente atuamos mudou tão dramaticamente que muitos de nossos concorrentes dos anos 90 sumiram do mapa. A Nero também passou por momentos de desafios críticos. Nós antevimos a virtualização extrema que se desenhava para as atividades típicas de gravação em mídias físicas – o registro de dados e, principalmente, de música, vídeo e fotos – e lá no princípio desse movimento até criamos um conceito, inspirado na filosofia, chamado mídia líquida. Quer dizer, um conteúdo de mídia já não teria um suporte por excelência, mas se espalharia por todos como água. 

A percepção estava certa, e foi ela que nos reconduziu aos trilhos da história. Nós paramos de focalizar apenas o suporte de mídia em si, no qual nossa tecnologia continua imbatível, e passamos a olhar para o conteúdo: que tipo de coisa o usuário quer colocar nesse suporte, seja lá qual ele for? E que tipo de dificuldade esse usuário tem quando todos os suportes são possíveis? 

Questões assim nos levaram a uma grande reflexão coletiva que conduziu nosso time de criativos a reinventar produtos, desenvolvendo o conceito de pacotes multimídia completos. Ou seja, um buquê de aplicativos bem amarrados para editar, publicar e compartilhar música, vídeo e fotos entre a infinidade de suportes disponíveis – do velho CD ao Blu-ray, passando por celulares, tablets, consoles de games, tevês inteligentes e mídias sociais, cada qual com seu formato típico de arquivo. 

Nesse verão aqui na Alemanha – e nesse pós-olímpico fim de inverno brasileiro – nós tivemos o prazer de ouvir sirenes tocando em nossos sistemas de gestão. Elas avisavam que o esforço de reinvenção tinha dado certo. A gente já sabia isso, mas é diferente quando uma sirene toca por se ter atingido uma daquelas metas corporativas que se traduzem em um tipo de número mágico. E que número mágico: a informação que obtivemos então foi da contabilização de 100 milhões de usuários de nossos softwares no mundo. Correndo o risco de soar piegas, digo que foi emocionante.

Melhor ainda foi observar que o número é consistente. Isto é, as instalações novas continuam de vento em popa, com média mensal de 1 milhão de downloads de aplicativos Nero. Como se diz no Brasil, é software de baciada – a cada 3 segundos um de nossos programas é baixado ou adquirido em uma loja física e instalado. Falando nisso, um dos nossos orgulhos é a performance dos pacotes multimídia s no Brasil, essa nação tão musical: há hoje pelo menos 12 milhões de brasileiros usando programas Nero para cuidar de seus acervos de música e vídeo, e recentemente, o país foi o primeiro colocado no mundo em downloads de um APP para celular que lançamos.   

Para nós, isso corresponde a uma medalha de ouro. E a gente pensa que, para os fãs de nossas soluções, também. Foi um caminho duro, mas uma coisa é certa: aprendemos com o humor brasileiro que zumbi a gente não é. Estamos mais para inventores de novas maneiras de nossos usuários serem deboístas. 

Eduardo Vento é executivo e porta-voz global da Nero AG. Informações sobre a empresa e seus produtos estão disponíveis no site oficial da Nero Brasil (www.nero.com/ptb). 


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